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Convida

Mara Carvalho




Em 1994 escreveu sua primeira peça, Vida Privada, texto bastante elogiado pela crítica. A partir daí, nasceu uma dramaturga?
Já tinha escrito alguns contos de dramaturgia. O Vida Privada foi meu primeiro texto para teatro com mais consistência, ficamos três anos em cartaz com muito sucesso. É uma peça divertida e atemporal, já que trata do relacionamento de casais.
 
Você escreveu episódios do Carga Pesada, mas parece que precisou usar, inclusive, um pseudônimo para que Rede Globo a contratasse. Como foi essa história?
Depois de algumas negativas sobre autores conhecidos pela editora, a Globo, junto com o elenco, criou um processo de seleção, como um “concurso” (vou chamar assim)... Havia um quadro de mais ou menos 19 autores e todos mandaram seus textos inclusive os meus, mas sem identificação. Ninguém sabia quem eram os autores dos 35 a 40 textos que foram entregues. Fizeram uma seleção onde os envolvidos liam e escolhiam. Até que sobraram 12 textos. Dos 12 seriam escolhidos 7 para entrar em produção. Dos 7 escolhidos 4 eram meus. Depois disso acabei por ser aceita pela equipe do “Carga Pesada”. Escrevi mais de 30 textos, fiquei por volta de uns quatro anos escrevendo o ‘Carga”, sendo que um deles chegou a 43 pontos no ibope. Foi um período muito bom. 
 
Parece que você é versátil, também é da sua autoria o famoso personagem ‘motoboy’, representado pelo comediante Marco Luque, no Terça Insana...
Sim MOTOBOY é de minha autoria. Sempre quis compor um personagem, tinha vontade de fazer um garoto como atriz; escrevi e criei esse personagem que o Marco Luque usa com muito talento. O motoboy é um dos personagens que mais lhe rendeu prestigio e (comercialmente falando também é um sucesso).
 
Que tipo de texto mais gosta de escrever?
Gosto de todos os gêneros. Mas me divirto bastante com textos de humor.
 
Você está em cartaz com a peça “Ator Mentada”, que conta momentos da sua vida. Como é atuar numa peça autobiográfica?
Não é só autobiográfica. Tem ali um pouco da vida de todo mundo. Dos que amam e dos que lutam por seus ideais.  
 
Há alguma cena, ou história da peça que você tenha um carinho especial? Por quê?
Não, não há “um” momento especifico que eu eleja como o principal durante a peça. Vou me revelando aos poucos, com toda sinceridade e sem pretensões, fazendo da plateia minha maior aliada.  Vamos nos envolvendo (publico e eu) a ponto de que se sintam à vontade para participar do meu show; o que faz com que a peça fique muito divertida, inclusive pra mim... (alguns momentos EU sou a plateia do meu publico). Na parte das canções, todo mundo canta comigo, essa interação é muito gostosa. No inicio sempre vejo uma ou outra pessoa muito tímida na plateia, mas no final ela ta lá totalmente envolvida “com os braços pra cima, cantando comigo e me ajudando a realizar meu sonho de ter a plateia me acompanhado em cada refrão”... É muito precioso e especial pra mim; quando saio do camarim (depois da apresentação) e vem alguém (já me aconteceu meia dúzia de vezes) me abordar pra dizer que não ria há muito tempo e que eu tirei dela um sorriso! Já ocorreu também me agradeceram por ter eu ascendido a chama da esperança adormecida num coração...; ai ganho um abraço que me emociona e, muitas vezes, me faz chorar. Esse sim é o momento mais do que especial pra mim. 
 
A peça é acompanhada de músicas que marcaram momentos da sua vida. E agora, que música está marcando esse momento?
Estou num momento muito feliz da minha vida, ATOR MENTADA me realiza profissional e pessoalmente. Meu filho, o Bruno Fagundes, estar em cartaz também me deixa muito feliz porque vejo ele trilhando seu caminho profissional com muito talento; ele sente-se realizado. Deixando de lado a profissão, vivo muito bem e feliz com meu amado, Carlos Martin, meu companheiro de todas as horas. 
Uma música que sempre vem a minha mente: - Devia ter amado mais, ter chorado mais, complicado menos, trabalhado menos, ter visto o sol nascer! 
Sou obcecada pelo trabalho e, às vezes, esqueço de curtir o outro lado... to aprendendo...
 
Também está com outra peça, Equus, gostaria que comentasse esse trabalho.
Adoro fazer parte do EQUUS, um texto excelente, contundente, com um elenco que dá gosto trabalhar. Faço um personagem duro, austero, racional totalmente diferente de ATOR MENTADA. Essa diferença me acrescenta profissionalmente. Com direção de Alexandre Reinecke. 
 
Seu filho, Bruno, está em cartaz com a peça Vermelho, também bastante elogiada, em que atua com o pai. Você tem vontade de dividir o palco com ele? E de dirigi-lo?
Tenho muita vontade sim de trabalhar com o Bruno, porque além de uma pessoa maravilhosa, o acho muito talentoso. Descobri isso quando, há alguns anos, dirigi uma peça que montei na escola INCENNA, onde ele estudou teatro. Escrevi a peça para 13 atores formandos, onde o Bruno era o protagonista. Ele era muito sensível e seu crescimento como ator foi impressionante. Desde então fui a maior incentivadora, porque vi nele um dom, um talento que valia a pena ser desenvolvido. Acredito, desde então, na sua capacidade. O Bruno é muito dedicado e disciplinado, um leito voraz e sensível, carismático e inteligente, tem tudo pra dar certo.
 
Moradora do Jardins, que lugares frequenta no bairro? Que dicas pode dar para os leitores do Chez?
Transitar pela Oscar freire é uma delícia. Tem as livrarias Cultura e da Villa, gosto de ir ao parque do Ibirapuera e curtir minha casa.
 
Quais restaurantes você frequenta?
Gosto muito do PARIS 6, e AMOR AOS PEDAÇOS, entre outros.
 
Que tipo de culinária aprecia?
Saquê. Rsrsrsrs. Japonesa, mas com moderação.
 
Desde que assumiu sua cadeira, Ana de Hollanda, ministra da Cultura, tem sido alvo de muitas críticas. Como profissional da cultura, que avaliação você faz da gestão da ministra?
Acho os critérios adotados pelo ministério injustos e incoerentes. Já mandei projetos para o ministério que não foram aprovados por “super faturamento”, o que questiono. Já vi casos de amigos serem aprovados com uma verba enorme.  Não apenas o ministério da cultura poderia ser melhor administrado, como muitos outros (saúde, transporte, etc).  


 

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