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Convida

Ivaldo Bertazzo




O Chez Croque conversou com o coreógrafo e bailarino Ivaldo Bertazzo sobre gastronomia, alimentação saudável, esporte, cinema e o seu trabalho focado na consciência corporal. 
 
Referência no estudo dos movimentos do corpo, Ivaldo Bertazzo aliou suas pesquisas no campo da biomecânica humana com a utilização artística do aparelho locomotor. Sua paixão pela dança e pelo movimento começa aos 16 anos e, em 1975, cria a Escola Movimento – Método Bertazzo com a proposta de ampliar o conhecimento e a consciência sobre o corpo e os seus movimentos. Após mais de 35 anos de carreira e vários espetáculos de sucesso, Ivaldo se dedica hoje a ações sociais, buscando popularizar a preocupação com o movimento e transmitindo o conceito de dança-cidadania para jovens da periferia. Atualmente, segue em itinerância com o espetáculo “Corpo Vivo – Carrossel das Espécies”, que já foi assistindo por 40 mil pessoas e passou por mais de 27 cidades brasileiras.  
 
Abaixo, os principais trechos da conversa.
 
 
Ivaldo, qual o filme que melhor retratou a dança e a arte do movimento?
Que eu me lembre agora, acho que o “West Side History” que é um filme que marca muito, coreograficamente, musicalmente, uma transformação para a dança contemporânea. É um filme muito importante na popularização e aproximação da dança em todas as classes. 
 
Você desenvolveu um método que tem sido utilizado também na área esportiva, por preparadores físicos, que defendem a sua importância para o esporte. Como que o corpo sensível e o trabalho da coordenação motora contribuem para o melhor desempenho esportivo? Como que o método Bertazzo pode ser aplicado no esporte?
O desempenho esportivo, hoje em dia, tem muita tecnologia a favor. A questão é como a pessoa exercita outros componentes para melhorar esse processo. Será que o atleta cozinha uma vez por semana, pelo menos? Ele descasca alimentos, se organiza na cozinha, lava louça? Será que as pessoas fazem alguma atividade corporal como bordado ou marcenaria? Isso tudo passa por uma reeducação motora, é um trabalho psicomotor mais delicado, que falta muito hoje em dia em qualquer esportista. Por isso que ele tem tantas lesões, porque ele não trabalha o psicomotor fino.
 
Você acha que o movimento esportivo e o esporte como um todo podem ser considerados uma arte?
Sem dúvida nenhuma, mas você tem hoje futebolistas que se dedicam apenas a fazer um esforço absoluto. Um jogador de futebol tinha que fazer dança de salão, para ter esse jogo de cintura. É muito o esforço pelo esforço, que cria lesões muito prematuras no esportista. É muito impressionante o dinheiro absoluto investido no esporte, no desenvolvimento e tudo, mas não vemos um refinamento fisioterápico e psicomotor para que eles possam crescer na percepção. É tudo pelo esforço.
 
Aprender a se movimentar melhor para esses movimentos mais simples e rotineiros ajuda a melhorar a qualidade de vida do não-esportista?
Com certeza. Se você mora em um edifício, subir escada ao invés de utilizar o elevador é uma grande coisa, pelo menos uma vez por dia. Você se esforçar às vezes para fazer algum trabalho doméstico no qual tenha que abaixar, limpar o chão, tudo isso ajuda. A gente não chega nunca a se ajoelhar ou sentar no chão. Isso nos limita extremamente. 
 
O que seria, resumidamente, o conceito de “Cidadão Corpo”?
“Cidadão Corpo” é você ter uma relação com o meio ambiente, com a sua cidade, mais corporal. Porém, o cidadão corpo precisa de melhores vias de transporte, de metrô, de locomoção, de calçadas. Ele não existe sem um organismo organizado. Então, a gente fez um pedaço: mostrar que o cidadão corpo investe na sua capacidade corporal. Mas como que os nossos sistemas de transporte, por exemplo, estão possibilitando o funcionamento desse corpo na cidade. Sem a sua liberdade locomotora você não desenvolve um corpo adequado. 
 
Como surge a sua vontade de atuar ao lado de jovens carentes e de certa forma popularizar a preocupação com o movimento e a consciência corporal? 
O jovem carente necessita de ajuda para subsistir e ele está sujeito a utilizar mais o seu corpo. Um jovem mais privilegiado não se submete a algumas coisas, porque ele tem dinheiro da família, ele tem conforto. Então, o jovem da periferia está crescendo muito corporalmente em várias artes cênicas. Futuramente, nós teremos esses jovens da periferia como os grandes artistas, porque eles estão investindo na questão corporal, por necessidade, e estão crescendo como artistas. A questão agora é dar para esses jovens informação, cultura, para que eles não sejam só executores do gesto, mas que tenham conhecimento. Quem está colaborando muito pra isso são as novas orquestras como a de Heliópolis, por exemplo. Nós teremos grandes músicos no futuro. 
 
Como tem sido a experiência com o espetáculo “Corpo Vivo – Carrossel das Espécies”?
Eles são jovens que ficaram comigo 8 anos, então isso a gente já pode dizer que é uma escola ou universidade. Hoje são profissionais, têm todos os direitos trabalhistas. É um modelo que eu prego para que os trabalhos sociais levem as pessoas a uma capacitação e profissionalização. A itinerância tem sido uma maravilha, porque temos ido para vários estados. Espero que eles consigam construir relações para futuramente terem mais autonomia ainda no trabalho com a dança. 
 
Do ponto de vista da dança e do movimento, qual é a importância da alimentação para a consciência corporal? Como que a alimentação é pensada no método Bertazzo?
É importante você ter coisas integrais na sua casa, trigo, arroz, porque o carboidrato integral é importante para o atleta. Além disso, qualquer dieta deve ter muitas frutas e saladas diferentes, que são as coisas que são essenciais para todos. Sobre a carne, eu acho que deve haver um equilíbrio de cada um comer o quanto achar que gastou de energia para comer carne. Comer carne sem gastar energia é um absurdo.
 
Ivaldo, falando ainda sobre gastronomia, qual o seu restaurante preferido em São Paulo?
Há vários que eu gosto, mas o que me vem na cabeça agora é o Sushi-Yassu [Rua Tomas Gonzaga, 98 – (11) 3209-6622], na Liberdade, que é um restaurante ótimo de comida japonesa. Costumo ir bastante lá.
 
Você cozinha? Qual a sua especialidade?
Eu cozinho sim. Gosto muito de fazer o trigo sarraceno como o judeu faz, colocando no ovo, refogado. Eu não sou judeu, mas adoro trigo sarraceno e toda semana tem aqui em casa. Faço também arroz selvagem com arroz integral, legumes diferenciados, refogados e grelhados. Esse que é o cotidiano culinário da minha casa.
 


 

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