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Sílvio Lancellotti




Chez Croque conversou com Silvio Lancellotti sobre jornalismo, Copa do Mundo, o Picadinho Multicolorido -sua especialidade na cozina e sobre treinar os chefs do Palácio Real de Estocolmo
 
Você é formado em arquitetura, como se envolveu com o jornalismo?
Sempre gostei de escrever. No final de 1967 li um anúncio, na revista "Realidade" - a Abril procurava jovens com diploma universitário para um projeto novo. Eu me inscrevi, passei por uma longa triagem e, em cinco meses, estava na equipe que lançaria "Veja" como sub-editor de "Internacional", responsável por Estados Unidos. Continuei na Arquitetura, paralelamente, até por volta de 1980.
 
Sua trajetória de jornalista envolve alguns momentos bastante importantes, como a criação da revista Veja, ainda hoje um dos maiores títulos do mundo. Para você, qual é o papel do jornalismo impresso hoje em dia, quando a tecnologia, as novas mídias e a internet abrem novas possibilidades e caminhos?
Obviamente, eu não dispenso a Internet. Mas, continuo um leitor constante de jornais e de revistas, insubstituíveis.
 
Você cobriu eventos importantes, como a eleição de Richard Nixon à presidência dos EUA. Como jornalista, que evento gostaria de cobrir, ou que personalidade de entrevistar, que ainda não tenha feito?
Cobri as duas eleições do Nixon. Cobri várias edições de Copa do Mundo, de Jogos Olímpicos. Mas, eu gostaria de ter entrevistado a Maria Callas.
 
Você conta que seu pai era um excelente cozinheiro de final de semana. Foi ele que despertou sua paixão pela gastronomia?
Sem dúvida, meu pai.
 
Na cozinha, qual a sua especialidade?
Eu adoro fazer o que chamo de Picadinho Multicolorido, a carne misturada a pedacinhos de pimentão vermelho, lascas de azeitonas pretas, alcaparras, grãos de ervilha e grão de milho, salsinha, vinho tinto, molho de tomates e alguns segredinhos.
 
Quais restaurantes você freqüenta, e o que mais gosta de comer em cada um?
As massas do Jardim de Napoli, o Steak Diana do Tatini's, as delícias árabes do Bambi e do Misky, os sushis do Kazuki.
 
Você treinou os chefs do Palácio Real de Estocolmo, o que da gastronomia brasileira você ensinou para eles?
Feijoada, moquecas e até mesmo algumas relíquias italianas.
 
Como se tornou crítico de gastronomia?

Quando saí da "Veja", em 1976, na crise que ocorreu logo depois do assassinato do Vlado Herzog, o saudoso Luís Carta me convidou a assumir a direção da revista "Gourmet". Daí, a bola de neve cresceu.
 
Como importante crítico da Folha, que histórias engraçadas você tem para contar? Um jantar inesquecível, um prato espetacular, uma pauta inusitada...
Certa ocasião, à porta do Le Coq Hardy, escorreguei e a parte de trás de minha calça se descosturou. O gerente, o saudoso Barros Pose, me levou até o escritório e me emprestou agulha e linha, para que eu desse um jeito no bumbum. Pratos espetaculares eu comi num jantrar preparado pelo Alain Ducasse em visita ao Leopolldo do Giancarlo Bolla.
 
Você frequentava o restaurante Chez Croque, qual era seu prato preferido?
Foi muitas vezes ao Chez Croque, inclusive gravei programas de TV por lá. Sinto talta do Croque Monsieur e do Martinelli.

Parece que você sempre gostou de esporte, dizem por aí que era bom de bola. Ainda joga uma pelada aos finais de semana? Quais são os seus hobbies?
Dizem que eu fui muito bom. Mas, aos 66 de idade, mal me levanto do banco de reservas.
 
É autor de 23 livros, planeja escrever mais algum?
Escrever é a minha paixão permanente. Tenho alguns planos encaminhados.
 
Você é um dos mais importantes jornalistas esportivos do país, acredita que o país tem condições de sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas?
Vai realizar e eu espero que dê certo. Mas, ideologicamente, fui contra.
 


 

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