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Convida

Marco Mariutti




O Chez Croque conversou com o artista plástico Marco Mariutti sobre seus próximos projetos, sua paixão pelos números, cinema e, claro, gastronomia

Tem uma poesia muito linda no seu site, sobre sua inspiração para pintar. Lá está escrito que ser artista era seu sonho de infância. Como surgiu esse sonho? Como você aprendeu a desenhar?
Não teve um começo tão definido. Lembro de sempre ter gostado de desenhar. Assistia às aulas decorando as capas dos cadernos com desenhos psicodélicos feitos com caneta Bic. Meus colegas achavam aquilo um pouco estranho... O aprendizado veio bem mais tarde. Aos 20 anos eu estava no terceiro ano da faculdade e tive vontade de me envolver com arte, isso depois de me aventurar na pintura a óleo sem nenhuma orientação. Fiz o vestibular para a faculdade de arquitetura da USP, mas só pelo desafio de passar na prova de desenho. Passei, mas não me matriculei! Fui me inscrever num curso de arte à noite, na FAAP. Nessa época, já tinha um estágio em uma empresa de engenharia. Fiz dois anos de curso, comecei a fazer desenhos mais sérios, participei de um salão de arte, e aí passei a me considerar artista também.
 
Você é formado em engenharia, como surgiu a decisão de apostar no desenho e na arte como profissão?
Comecei fazendo as duas coisas: em 1982 fazia engenharia das 8h às 18h, e pintura de camisetas à noite e nos fins de semana. Dois anos depois, com o sucesso das camisetas, e depois de diversos outros produtos, foi fácil deixar a engenharia. Mais difícil foi deixar a pintura de tecidos e assumir a carreira de artista. As duas carreiras caminharam juntas até 2009, quando comecei a focar mais na arte.
 
Até hoje você faz as provas de matemática dos vestibulares da Fuvest,  da onde vem essa paixão pelos números? Por isso estudou engenharia?
Sim, sempre gostei e tive facilidade em matemática. Quando fazia cursinho para engenharia, estava tão apaixonado pela matéria que pensei em fazer faculdade de matemática. Mas, acho que um pouco para realizar o sonho do meu pai, acabei na engenharia! Ainda hoje tenho esse prazer de resolver problemas de matemática, os sudokus mais impossíveis, etc.
 
Tem vontade de voltar a estudar? Começar outra faculdade, do zero?
Não, nunca pensei nisso, mas se fosse, seria matemática, com certeza!
 
Você tem um caderno, onde faz um desenho todos os dias. Como funciona isso? É um diário de anotações artísticas?
É um diário onde me propus a preencher uma página por dia. Não só desenhos, mas também textos, pequenos poemas, anagramas, relações numéricas, etc. Comecei dia primeiro de janeiro de 2010, e continuo até hoje.
 
Se alguém quisesse saber os seus segredos e roubasse o seu diário... o que essa pessoa descobriria?
Apesar de alguns pensamentos bem pessoais, não é um diário secreto. Eu e a minha filha Sofia estamos tentando editar o diário de 2010, que ficou bem interessante. Todos os dias eu porto o diário de 2011 na minha página do Facebook. Assim meus amigos acompanham um pouco do meu dia a dia e ficam mais próximos. E eu me sinto mais próximo deles ao receber os comentários.
 
Em que está trabalhando no momento?  Quando veremos uma próxima exposição sua?
Não tenho nenhuma exposição programada. Estou desenvolvendo uma série de pinturas inspiradas no “tachismo”, um movimento artístico europeu dos anos 1950. Os trabalhos surgem de manchas casuais de tintas jogadas sobre a tela. Esse trabalho ainda precisa amadurecer mais um pouco para poder ser exposto numa galeria ou museu. Espero que isso aconteça em 2012 ou 2013.
 
Falando sobre gastronomia... Dá para pintar ou desenhar de barriga vazia?
Jamais! Fico de péssimo humor quando estou com fome.
 
Quais restaurantes em São Paulo você mais gosta? Por quê?
Todo mundo sabe que São Paulo tem muitos bons restaurantes, das mais diversas especialidades. Vou citar dois dos meus preferidos. Gosto muito da Mercearia do Conde pela comida, que é muito especial, e pelo ambiente descontraído. Tenho também uma ligação especial com o Bistrô Charlô, que frequento desde a inauguração nos anos 1980.
 
Você cozinha? 
Não. Nos primeiros anos de descasado tinha muita dificuldade quando meus filhos vinham dormir na minha casa. Eu costumava brincar que estragava até comida pronta. Na verdade, só sei fazer dois pratos: omelete (que dizem que faço até bem) e ratatuille, que aprendi em um curso de cozinha natural que fiz em 1980. Agora, lavar a louça é interessante. Li uma vez sobre um escritor e filósofo italiano que dizia que é uma ótima atividade para a cabeça. E soube também que o Muricy Ramalho (um dos melhores técnicos de futebol do Brasil) usa essa atividade para se curar do estresse.
 
O que gosta de comer quando está em casa?
A Fernanda, minha mulher há 17 anos, cozinha muito bem. Eu gosto de comer os pratos que ela inventa quando está inspirada. Principalmente peixes e saladas. Sou apaixonado por doces, principalmente de maçã, mas procuro evitar, pois tenho a clara impressão de que o açúcar vicia.
 
Você vai de bicicleta para o trabalho. O que mais você faz no seu dia a dia para ter uma vida mais sustentável?
A bicicleta é muito interessante, pois é suficientemente rápida para locais planos, e não depende de um esforço muito grande. Assim, acabo me obrigando a fazer um pouco de exercício, não me imagino dentro de uma academia. Acho que qualquer coisa que façamos para diminuir o impacto da nossa presença no planeta, por menor que seja, é importante. Reciclar os resíduos que não são lixo, economizar água, energia, são coisas muito simples e que me fazem sentir melhor.
 
Gosta muito de ler, quais seus autores preferidos? O que está lendo no momento que indicaria para nossos leitores?
Italo Calvino, Philip Roth, Ian McEwan, José Saramago. Estou lendo “Pastoral Americana” do Roth, um autor americano. Só tinha lido os livros mais novos dele, agora resolvi voltar um pouco para trás e ler esse, que parece ser um dos livros mais importantes do autor.
 
Falando sobre cinema, soube que você gosta muito, e que já viu todos os clássicos. Algum filme em especial marcou a sua vida? 
É sempre difícil citar um título entre tantos. O filme mais importante da minha vida foi, sem dúvida, “O Passageiro” do Michelangelo Antonioni. Isso não quer dizer que seja o melhor, mas foi uma experiência especial para mim na época em que assisti (1977). Gosto muito de vários diretores italianos como Fellini, Antonioni, Bertolucci, Pasolini; americanos como Scorcese, Coppola e Woody Allen; dos alemães, gosto do Herzog e Wenders; franceses Resnais eTruffaut. Enfim, uma lista bastante óbvia. 


 

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